quarta-feira, 16 de março de 2011

20 de Janeiro de 2010

Mais um dia frio. Mais um dia em casa sem fazer nada. Mais um dia só. Mas como as gentes da minha morada diziam, "mais vale sozinha que mal acompanhada". De certo modo, concordava com elas, mas por outro lado não. Se uma pessoa falsa estivesse em minha casa, ao menos o meu social não estava tão em baixo. Agora, eu aqui sozinha, enostada à parede fria no corredor, com quem falo? Ao espelho? Ponho-me a cantar? Parece ser uma boa solução mas não tenho vocação para isso. Aos 12 anos, quando criaram o coro da igreja, rejeitaram-me e disseram que alguém precisava de ler as leituras e que o coro já não tinha mais inscrições. Apenas tinha 5 viúvas que iam para lá para passar o tempo e estavam sempre a cuscuvelhar, uma rapariga de 8 anos que canta/va mesmo bem e estava lá por causa da avó e três adolescentes, que nem sei bem porque foram para lá. O que é certo é que no final de cada ensaio as via atrás da igreja, a dar "passas".
Continuava sozinha. Podia estar a pensar no passado mas continuava sozinha. Quando desci à terra, entristeci. Não queria estar sozinha. Não queria viver sozinha. Não quero morrer só.

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